ruas negras de piso impermeável,
- sem a areia solta das estradas -
onde pessoas passam velozes,
apertadas, fechadas em latas pintadas
com cores berrantes.
Áridas
construções dos homens:
arranha-céus
de linhas desnaturais,
- sem as
curvas e o caos das montanhas –
exibida imaginação
de arquitetos
que o tempo
desgasta e personaliza.
Desbota as cores.
Criatura que
se arvora em criador
em plantações
urbanas sem verdor.
- sem a
exuberância da mata fechada -
Cá e acolá uma
árvore, um jardim
tornam o
contraste mais doido.
Ocupação de
cada espaço, o aperto.
O mundo
virtual ou o concreto,
obras das
gentes medrosas e mortais,
- sem a
graça do cosmo natural –
cria neuroses
e ânsias de fugir.
Como um
Ícaro
com asas de
cera que se desmancham.
Apodere-se
do tempo homem finito.
Dobre o espaço
com as mãos de tua vontade
- sem pensar
no que dirão de ti –
e volte ao
mundo mutante do início.
Aqueles que
se revolvem no nada
te olharão
espantados.
