
Não sou um pássaro preso.
Não admito ver a vida
pelas grades de uma gaiola.
Nada pode tirar a minha liberdade,
meu direito de ir e vir.
Sou um coleirinho solto
pelos caminhos do céu.
Às vezes vôo sozinho
De outras em um bando agitado.
Mas não andamos todos juntos,
nenhum está preso a um colega.
Andamos em dupla, em terno, ou quadra
conforme o temperamento de cada um
ou possibilidade de voar.
Depois de corrermos bastante
paramos para comer, beber e conversar.
Descem dois, quatro chegam em zig-zag,
logo o lugar se enche de alarido feliz.
Os olhos brilham ao ver um amigo,
os rostos se abrem em sorrisos.
Contam-se aventuras e planos.
Coisas tristes passam como um vento.
Satisfeitos e alimentados voltamos a voar.
Um mais afoito segue primeiro outros o acompanham
e em pouco a estrada está cheia deles.
Vivem para voar, o ar fresco tocando seus rostos.
Ora subimos batendo as asas vigorosamente,
o coração retumbando com o esforço,
depois embicamos numa descida vertiginosa,
o sangue ressoando nos ouvidos.
Brincamos de perseguir o outro, como crianças grandes.
Este exercício aguça nossos sentidos.
As cores e o detalhes ficam mais definidos.
Quando passamos por um bambuzal
as astes se dobram nos prestando homenagem
e as árvores abeiram a estrada para nos ver passar.
As folhas ficam tão nítidas!
O furta-cor da imbaúba, as folhinhas da sibipiruna
Não admito ver a vida
pelas grades de uma gaiola.
Nada pode tirar a minha liberdade,
meu direito de ir e vir.
Sou um coleirinho solto
pelos caminhos do céu.
Às vezes vôo sozinho
De outras em um bando agitado.
Mas não andamos todos juntos,
nenhum está preso a um colega.
Andamos em dupla, em terno, ou quadra
conforme o temperamento de cada um
ou possibilidade de voar.
Depois de corrermos bastante
paramos para comer, beber e conversar.
Descem dois, quatro chegam em zig-zag,
logo o lugar se enche de alarido feliz.
Os olhos brilham ao ver um amigo,
os rostos se abrem em sorrisos.
Contam-se aventuras e planos.
Coisas tristes passam como um vento.
Satisfeitos e alimentados voltamos a voar.
Um mais afoito segue primeiro outros o acompanham
e em pouco a estrada está cheia deles.
Vivem para voar, o ar fresco tocando seus rostos.
Ora subimos batendo as asas vigorosamente,
o coração retumbando com o esforço,
depois embicamos numa descida vertiginosa,
o sangue ressoando nos ouvidos.
Brincamos de perseguir o outro, como crianças grandes.
Este exercício aguça nossos sentidos.
As cores e o detalhes ficam mais definidos.
Quando passamos por um bambuzal
as astes se dobram nos prestando homenagem
e as árvores abeiram a estrada para nos ver passar.
As folhas ficam tão nítidas!
O furta-cor da imbaúba, as folhinhas da sibipiruna
e as flores do ipê amarelo ficam tão vivas!
E os sons da Natureza?
O chiado persistente da cachoeira escondida na mata,
O canto riscadinho do sanhaço, os dois pios do anu
e o trinado do canário da terra no galho alto do angelim.
Os cheiros ficam tão profundos!
O perfume da jaca madura nos enche a boca d'água,
a fragrância resinosa do eucalipto e do pinus
penetra nos pulmões limpando a poluição neles.
Nos emocionam as curvas teimosas de um rio,
o gado pastando no alto dos morros verdejantes,
as primeiras luzes da manhã quando saímos de casa
e as cores do entardecer quando regressamos.
Não, não posso ficar prisioneiro em casa!
Tenho de pegar minha bike e ganhar a estrada.
Nenhuma televisão mostra as belezas que vejo,
nem o amor da esposa e dos filhos me consegue segurar,
Então saio e corro, subo e desço como um pássaro.
E os sons da Natureza?
O chiado persistente da cachoeira escondida na mata,
O canto riscadinho do sanhaço, os dois pios do anu
e o trinado do canário da terra no galho alto do angelim.
Os cheiros ficam tão profundos!
O perfume da jaca madura nos enche a boca d'água,
a fragrância resinosa do eucalipto e do pinus
penetra nos pulmões limpando a poluição neles.
Nos emocionam as curvas teimosas de um rio,
o gado pastando no alto dos morros verdejantes,
as primeiras luzes da manhã quando saímos de casa
e as cores do entardecer quando regressamos.
Não, não posso ficar prisioneiro em casa!
Tenho de pegar minha bike e ganhar a estrada.
Nenhuma televisão mostra as belezas que vejo,
nem o amor da esposa e dos filhos me consegue segurar,
Então saio e corro, subo e desço como um pássaro.

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