quinta-feira, 9 de junho de 2016

DESUMANA CRIAÇÃO


Desumana criação dos homens:
ruas negras de piso impermeável,
- sem a areia solta das estradas -
onde pessoas passam velozes,
apertadas, fechadas em latas pintadas
com cores berrantes.


Áridas construções dos homens:
arranha-céus de linhas desnaturais,
- sem as curvas e o caos das montanhas –
exibida imaginação de arquitetos
que o tempo desgasta e personaliza.
Desbota as cores.

Criatura que se arvora em criador
em plantações urbanas sem verdor.
- sem a exuberância da mata fechada -  
Cá e acolá uma árvore, um jardim
tornam o contraste mais doido.
Ocupação de cada espaço, o aperto.

O mundo virtual ou o concreto,
obras das gentes medrosas e mortais,
- sem a graça do cosmo natural –
cria neuroses e ânsias de fugir,
como um Ícaro
com asas de cera que se desmancham.

Apodere-se do tempo homem finito.
Dobre o espaço com as mãos de tua vontade
- sem pensar no que dirão de ti –
e volte ao mundo mutante do início.
Aqueles que se revolvem no nada
te olharão espantados.

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